domingo, 15 de novembro de 2009

Revolta cubista.

(Tete Domo - Picasso)


Inimigos da saudade
Inimigos das lágrimas
Inimigos de tudo o que eu amo ainda
(Apollinaire)




Você me pintou de uma maneira tão real que agora ao me ver em suas tintas percebo os borrões em que me tornei, a imagem dos teus dedos não é a mesma do meu espelho, no vai e vem de decompor e recompor a realidade, que escorre pelos ralos como meus pedaços fragmentados por suas lâminas, palavras. Cores vivas que morrem em cada suspiro.
Desconfio amargamente de que estaremos cada qual em sua Babel, no alto da torre gritando coisas das quais nunca conseguiremos entender ou coisas das quais preferimos não entender, no final serão sempre algumas pinceladas violentas numa tela que sangra sem entender.
O teu sorriso quebrado & espalhado pelos cantos da minha tela
fascina.

28 comentários:

Francisco Jamess disse...

não sei porque, muito do que você escreve falando com um "você", eu leio como se você estivesse falando comigo. tivesse escrito pra mim.

acho que o que você me escreveu estava com o destinatário bem claro. isso que eu faço é egoísmo, ou eu simplesmente me identifico.

acho que você nunca vai me dizer o que está certo.

enfim.

o/

Rafael disse...

Seria você uma pintura de Picasso?

As cores vivas sempre morrem. Lei da validade que sempre vence.
Hermana, cest la vie.

Katrina disse...

Jamess, não é egoísmo, acho.
Quando escrevi para você, quis gritar mesmo que era para você, enfim, mostrar a todos o que me motivou a escrever. Exibicionismo da minha parte, claro.
Ah, essa parte de indentificação, eu deixo pros meus contos, não ponho nome em personagem algum exatamente para isso (ou não)

Enfim, dias cubistas

Marcelo Mayer disse...

bom

Desmanche de Celebridades disse...

hahaha,
Katrina, respondendo ao seu comentário, não foi minha intençao. Mas estou pensando em tirar esse post o mais rapido possivel. O numero de seguidores ate baixou depois da postagem. Tentei passar uma mensagem positiva sobre o assunto, mas sei la o que aconteceu, hahahaha.

Sobre a revolta cubista....gostei muito do conceito. Digo que ja me senti assim.

Abraços

minicontosperversos disse...

Um dia numa viagem longa passamos por Mairiporã, com aquele lagão lindo, aquela calma... Paramos pra fazer um trabalho numa lanhouse, comemos um sanduba olhando o movimento na praça, abastecemos o carro naquele posto apertado na avenida principal e tocamos pela Fernão Dias. De certo modo, por isso, entendemos um pouco você.

Furacão Katrina.

Daiana Costa disse...

Acho que, tudo o que é escrito, é destinado à alguém ou alguma coisa, mesmo que inconscientemente.

E isto, de revoltar-se, agrada-me e muito. :*

Marcel PH disse...

Cubismo se atém muito a formas haha

Fabrício Romano disse...

O nome do blogue só pode ser provocação, né?

Glauco Guimarães disse...

Bem expressivo. Bacana mesmo

.Leonardo B. disse...

[O interior, - onde habita? Existe ainda
A pulsar solitário em sonho ou num sorriso?
de Ricardo Molina]

tem uma palavra para completar

um imenso abraço
abraçimenso

Leonardo B.

|Katrina, tem uma parte aparte que gostaria de partilhar... para onde envio? envia mensagem, pombo correio, sinal de fumo... mailto!|

Natacia Araújo disse...

Amigo Mayer!
Vamos concordar que isso tá mais que bom! haha Tá perfeito.
Caia mais vezes nessa revolta cubista Katrina!
Lindo!

Maria Andrade Vieira disse...

pelo jeito, a pintura pregou na sua cara. legal. o que o outro cria as vezes é tanto que passamos a tentar parecer o espelho e não o contrário. humanos: tenho medo deles.

nina rizzi disse...

eu tenho um sonho: "alguém" me desenha, pinta, escreve e cria...

great.
beijo.

Hiorrana disse...

Uma pintura real...

Ferdi disse...

Nossa, serzinho, tu é muito boa nisso, muito boa mesmo.
Eu tenho vergonha das minhas palavras quando leio as suas.

Desmanche de Celebridades disse...

hehehehe, entendi.
Bom, não vou apagar ou mudar o post por enquanto. Ando trabalhando demais. Mas que esse foi um post impopular isso foi. Impressionante! Mas o Desmanche sempre foi impopular, então já estamos até acostumados.

Abraços.

Natália Corrêa disse...

A gente muda, enquanto a tela permanece um retrato do que fomos um dia. É inevitável...

Maria Rita disse...

Parece que foi o que eu precisava ler hoje. Acho que somos pinturas vivas e borradas, buscando pelos nossos quadros de origem. \õ/

:*

Dandara disse...

Quando me pintam e falam na cara eu duvido. Quando me colocam vazia diante de mim eu berro pra me fazerem com conteúdo.

Hosana Lemos disse...

um dos melhores que já vi por aqui...
muito intenso!
adorei.


beijo

Lílian Alcântara disse...

Normalmente fico sem palavras com bons poemas. Não sei versificar tão pouco comentar versos. Em prosas eu viajo com as letras, vou pra um mundo diferente do escrito ali, de todos que já fui, encaro de frente o nivarna. Prosas me proseiam pelas idéias. Mas hoje, mas este... enfim... fiquei aqui intacta sob a mesma pose esperando o pintor, e devagar ele me traçou usando de pincel os dedos...

Eric R. disse...

Bom,só tenho a dizer que este poste por completo ficou ,ultra excelente.

Sem amis comentarios.

Daniel disse...

Essa instrospecção é muito boa.
Beijo

Carol Mioni disse...

Gosto de passar por aqui, é sempre uma surpresa

Henrique disse...

Todos os planos de uma imagem, na superficie chapada das palavras.

Verdadeiramente cubismo.

Ricardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Valente disse...

Muitas vezes, o mais fácil é borrar a imagem, numa tentativa vâ de matar o que está dentro.
Gostei do blog...
Beijo!