sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aviso a New Orleans

Co autoria de Leandro (não menos do que minha metade)


Verbalizo os seus encantos e os seus desejos de afrodite. Deixo solto o compasso. Você alcança as nuvens em seu samba enredo, ficamos afoitos no chão te aguardando. Não temos o seu tempo, o tempo de um suspiro, estamos atrás enquanto você passa. Eles comem os sonhos de padaria e nós lambemos os dedos sujos de sangue.
Sangue do nosso ventre

[dos nossos dedos rasgados de imperfeições & fracassos contínuos mas que usamos nesse nosso sexo selvagem solitário com as palavras
Pegamos amores emprestados e lhes damos corpo e alma mas só até o próximo ponto final
onde senhores de nossas míseras verdades mais do que falsas
lhe damos um tiro a queima roupas com um sorriso de satisfação
e ressussitamos
num proximo poema
talvez?.]

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Louca.


(Jamess me vê através de traços de giz)

quando você declama poesias em cima de
uma cadeira de bar
e recebe aplausos tímidos
e um bêbado beija sua mão em reverência

quando você tenta ligar para a Duda Rabuda
num orelhão em frente ao prédio do INSS
e constata que ela só pode estar dando
pois não atende o telefone
e você vê um mendigo sobre o viaduto
contemplando os carros da avenida à noite
o olha nos olhos
e ele te estende uma garrafa de aguardente
depois de um "oi" gutural

e você nota um grupo de pessoas vestindo panos longos
um manco, um velho e algumas mulheres
vestindo panos e cordas
e uma criança entre eles
menina ágil e curiosa sobre estas duas pessoas do mundo
que corre a ver a foto digital que você tirou
do grupo
depois de um pedido anormalmente espontâneo
de sua parte
e você aprende um sinal de paz
dessa religião esquecida
e lhes agradece com sorrisos
e zomba de um crente na praça da Sé
que te responde furioso
"hoje você zomba, amanhã você desce!"

e você se senta na escadaria da igreja
e fotografa lixeiros
velhos
e um indigente solitário
e tira poesia de uma vendedora de amendoins no trem
e depois disso me diz
"tenho medo de você
você é louco..."
eu me rio satisfeito
pois com este espírito
talvez um dia você me alcance
e jogue fora sua TV

ou quiçá você a continue assistindo
e isso te torne mais louca
que eu.

(Francisco Jamess, que além de ser um dos melhores poetas com quem tive a oportunidade de dividir cervejas, risadas e desabafos em escadarias da Sé, por pura obra do destino, é meu melhor amigo também)

domingo, 15 de novembro de 2009

Revolta cubista.

(Tete Domo - Picasso)


Inimigos da saudade
Inimigos das lágrimas
Inimigos de tudo o que eu amo ainda
(Apollinaire)




Você me pintou de uma maneira tão real que agora ao me ver em suas tintas percebo os borrões em que me tornei, a imagem dos teus dedos não é a mesma do meu espelho, no vai e vem de decompor e recompor a realidade, que escorre pelos ralos como meus pedaços fragmentados por suas lâminas, palavras. Cores vivas que morrem em cada suspiro.
Desconfio amargamente de que estaremos cada qual em sua Babel, no alto da torre gritando coisas das quais nunca conseguiremos entender ou coisas das quais preferimos não entender, no final serão sempre algumas pinceladas violentas numa tela que sangra sem entender.
O teu sorriso quebrado & espalhado pelos cantos da minha tela
fascina.

Pela socialização do conhecimento.

Minha estréia no famigerado blog PARECE MENTIRA MAS NÃO É

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Nota abstrata.

Para o amor que não cabe em palavras ou tristeza.

Tirei meus soldadinhos de chumbo das caixas para que eles vissem o mundo pelo qual eles deveriam lutar e vi em seus rostos que estavam exaustos de matar essa minha infância que insiste em me visitar. Sequei as últimas lágrimas da noite mas que seriam as primeiras da manhã em eu soube que seria devorada por um vazio maior do que se encontra pelas ruas e elas gentilmente me ouviram como ouviriam qualquer um que lhes dessem a atenção necessária para também as ouvirem em sua linguagem amarga e triste, composta de miséria humana, remorso e fracasso com uma nota de violência. Eu poderia tocar qualquer samba, em prelúdio quem sabe até em interlúdio & ele poderia soar como uma benção de algum sábio louco ou obsceno como uma profecia que anunciava desde sempre a sua vinda à minha vida para que a roubasse momentaneamente sem que eu a percebesse, porque até então, eu não sentia a falta da minha vida ausente pelos cantos.
E mesmo que de volta, a vida
me olha como estranha.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sob uma lua de tango.

Você acorda meu corpo de todas as promessas e imperfeições desse mundo amassado dentro da minha cabeça com seu cheiro agradável dos maços de cigarros que comprei na noite passada e que roubou alguns como roubou boa parte de mim, e canta em meu ouvido nossos velhos tangos de amor, desse que se foi há muito tempo atrás sem nos dizer adeus. Acompanho suas pernas que envolvem as minhas e as tragam num suspiro único como Gardel jamais conseguiria fazer
agora estátuta de pedra, não diferente de nós, num último tango silenciado por um cigarro que acabou e que espera encontrar outro para preencher esse vazio de todas as canções.
Em algum lugar desejaria que eu fosse quem ama
mas não desejaria que fosse ninguém, se já é quem eu amo e o universo todo já se estremesse em paz ao sentir isso.

Então vou almejar um céu do qual possamos compartilhar já que somos pó perante tudo, perante a essa estrada em que nos perdemos e que tantos outros se perdem e chamam diariamente de vida, e a minha se torna um pouco menos vida, muito mais destino, ao cruzar meus passos aos seus sob uma lua de tango & dizer com a voz embriagada de nostalgia que você me conduz para dentro dos meus sonhos de Ícaro sem nenhum medo de alcançar o sol
& mesmo Ícaro de asas de carne e sorriso infantil
eu me derreteria por você.

Presente

Obrigada Junker pelo presente *-*
Um desenho com uma máquina onde eu mato pombos, uma xícara de café, um cigarrinho e HENRY MILER MALANDRÃO E GOSTOSÃO é daqueles presentes dos quais eu nunquinha vou me esquecer, mesmo.

Obrigada também, Luna, Hugo, Rafael, Leandro, Junker e Bernardo, por abraçarem a minha ideia absurda (da qual em breve todo mundo já vai saber).

Enfim, é o basiquê.