(Jamess me vê através de traços de giz)quando você declama poesias em cima de
uma cadeira de bar
e recebe aplausos tímidos
e um bêbado beija sua mão em reverência
quando você tenta ligar para a
Duda Rabudanum orelhão em frente ao prédio do
INSSe constata que ela só pode estar dando
pois não atende o telefone
e você vê um mendigo sobre o viaduto
contemplando os carros da avenida à noite
o olha nos olhos
e ele te estende uma garrafa de aguardente
depois de um "
oi"
guturale você nota um grupo de pessoas vestindo panos longos
um manco, um velho e algumas mulheres
vestindo panos e cordas
e uma criança entre eles
menina ágil e curiosa sobre estas duas pessoas do mundo
que corre a ver a foto digital que você tirou
do grupo
depois de um pedido anormalmente espontâneo
de sua parte
e você aprende um sinal de paz
dessa religião esquecida
e lhes agradece com sorrisos
e zomba de um crente na praça da Sé
que te responde furioso
"hoje você zomba, amanhã você desce!"
e você se senta na escadaria da igreja
e fotografa lixeiros
velhos
e um indigente solitário
e tira poesia de uma vendedora de amendoins no trem
e depois disso me diz
"tenho medo de você
você é louco..."
eu me rio satisfeito
pois com este espírito
talvez um dia você me alcance
e jogue fora sua TV
ou quiçá você a continue assistindo
e isso te torne mais louca
que eu.
(
Francisco Jamess, que além de ser um dos melhores poetas com quem tive a oportunidade de dividir cervejas, risadas e desabafos em escadarias da Sé, por pura obra do destino, é meu melhor amigo também)