domingo, 6 de setembro de 2009

Delírio concreto.

Para Jamess


Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento
(Clarice Lispector)




Planos escondidos nos vagões da luz, no seu sorriso desajeitado que desajeitava o meu que se perdia por ali, entre as paisagens e as construções e os correios. Das muitas cartas do brás, de todos os sonhos coloridos, de todos os poemas que não eram nossos mas foram de todos. Porque os melhores não precisam ser entendidos se você já os sente apesar do frio das ruas que vão de encontro á Ipiranga com a Santa Efigênia, se você está perdido e sabe o caminho e sente que, aquela mão tão próxima a sua cabe exatamente entre os seus dedos, que aquele ombro pede a sua cabeça deitada sobre ele num vagão, que todas as promessas de daqui a dois meses serão verdade daqui a dois meses e o último abraço pode não ser e nem deve ser o último abraço.

E não importa se o Deus da praça da Sé lhe mandará para o inferno só porque você precisa de um pouco mais de alegria em meio àqueles que te olham certos de que virarão apenas uma fotografia em preto e branco já esquecida no dia seguinte e que o largo dos aflitos de fato não é largo o suficiente para caber toda a sua aflição, porque o que importa é que não foi abstrato, mesmo que delírio, foi concreto.

6 comentários:

Francisco Jamess disse...

li, reli e sorri, a 7 minutos.

e o sorriso ainda não sumiu do meu rosto, Dr. Pitanguy.

Jéssica disse...

Lindo, amei.

R. disse...

eu fui morar na estação da luz
pq estava muito escuro
dentro do meu coração
ai ai

Letícia de Assis disse...

Você está concorrendo a um prêmio devido ao seu blog? :O Parabéns! E merece sim, seu blog é ótimo!

Jéf disse...

Seria bom ou ruim?

Parabéns pelo teu trabalho

Até,

Jéf.

Eloisa Faccio disse...

Katrina eu adoro os teus textos. Acho todos lindos, todos válidos. (:

Meu beijo. Me avise quando lancar* teu livro, rs.