sábado, 17 de janeiro de 2009

Tela surrealista interminável

Escrevi o seu nome na janela do ônibus de volta para a casa, mas eu estou aqui e o seu nome permenece lá percorrendo toda a cidade, numa longa jornada sem fim até que, leiam e saibam o quanto eu te amo e faria qualquer coisa para redicionar os meus dedos que estiveram naquela janela e que estão aqui escrevendo essa enorme baboseira sem fim mas
queria que você estivesse comigo quando eu sentei num boteco e eu só ouvia o barulho incessante da rua que era como qualquer canção que me lembrasse de você
e quando uma peruana me perguntou onde é que eu queria chegar e eu não entendi nada
mas respondi que eu estava longe demais de onde eu queria estar
e aqui, no meio de duas avenidas atravancadas de pessoas familiares a mim e
de carros ônibus motos e o caralho a quatro
é o meu lar
porque aqui está o meu coração
[quem disse isso, não lembro, mas todo escritor não quer ser lembrado por seu nome mas pelo o que escreveu e que no final de tudo é o que fica nos lábios alheios]
e também é aí, onde você repousa
[ou assim como eu se sente perdido por não saber onde é que quer chegar]


E tudo é tão sujo e tão belo é tudo tão demarcado por pessoas que
fazem da cidade a sua grande tela surrealista
onde eu encontro facilmente o seu sorriso, porque
[você riria comigo dessa minha opinião, mas São Paulo é uma tela surrealista ainda a ser finalizada por algum grande artista, sempre existe um vazio nessa tela onde qualquer um pode completar]
[e eu completaria com tudo isso que eu quero lhe dar em todas as cores inimagináveis e dadaístas]

E tudo trancorre tão rapidamente
isso de andar e andar e perguntar onde é que fica esse lugar que eu quero chegar
e eu sei
mas é sempre bom perguntar porque
eu já me perdi uma vez, tantas vezes
[e eu acho que eu voltei a me encontrar em você]
que, novamente eu estou aqui
e você nunca saiu daí
[mas eu sei que eu andei sobre tudo aquilo que você andou e
andamos juntos e pintamos juntos e descobrimos mais cores
para tudo isso que se chama amor]

3 comentários:

F. Júnior disse...

este ficou muito bom... apaixonado... acho que Brasília é uma tela cubista mal acabada...

ber disse...

que seja a poeira do desleixo e não a poeira do tempo...

Fabiano Antunes - Pierrot Urbano disse...

[quem disse isso, não lembro, mas todo escritor não quer ser lembrado por seu nome mas pelo o que escreveu e que no final de tudo é o que fica nos lábios alheios]

Gostei...