segunda-feira, 12 de abril de 2010

A infelicidade de amar em paz

Com palpitações de Hugo Crema.



Uma parte de mim
se anestesiou com aspirinas sob um céu marcado de cartas
dessas de amor que jamais remeti

em branco.

Minha vida se abre num pesadelo
uma evacuação


ejaculação precoce


A merda nas paredes forma versos que não concebi
Forma apenas meu verdadeiro nome
escondido numa personalidade que não criei
vivendo sobre meus ombros
cópia barata de Atlas
que escorre pelo ralo
junto com o eco
de tudo aquilo que um dia já fui.


Urro de dor


mas o saí dos meus dedos


é apenas silêncio

19 comentários:

HugoCrema disse...

Uma parte de mim traduziu-se em Ferreira Gullar, a outrase derreteu ao ler esse poema. Imagens certeiras, é só o que digo, e um gosto pelo escatológico que só pode conduzir ao sublime.

Katrina disse...

você podia ter resumido "e eu gosto de você", haha

HugoCrema disse...

Mas eu nem gosto, ficadica, baby.

Katrina disse...

Me ama, que eu sei.

HugoCrema disse...

Tu sabe que eu gosto, né amor?
Não preciso nem dizer.

Lílian Alcântara disse...

Desculpem interromper... haha, o poema é perfeito, me remeteu a uma quantidade de visões divididas entre passado e futuro, sem deixar de ser o presente a frente dos meus olhos por um instante sequer. Repito: perfeito.

sarah disse...

os melhores sentimentos, se fazem no silêncio.

Mai disse...

"Traduzir uma parte noutra parte"... é o que há de mais humano.

- maria elis disse...

dúvida: quantas aspirinas são necessárias para uma anestesia permanente?!
preciso de uma pra ontem.!

beijas :*

Juliano disse...

O silêncio as vezes dala muito mais do que qualquer som.

Bjos

Maria Vieira disse...

muito bom. poesia merda gozo. nosso corpo produz mto prazer mal-cheiroso.

Marcos Andrade disse...

"A infelicidade de amar em paz".

O título, por si só, já é um poema.

Muito bom, como sempre!

Juliana Oliveira disse...

Seus textos são lindos e vc não tem nada de escritora fracassada, bjus
tem é muito talento!!!

Rafael disse...

Ficou escatologicamente bonito.
Eu parei de escrever poemas com minhas fezes, as pessoas estavam reclamanado do cheiro.

Marcel Hartmann disse...

Que é isso, que negócio forte.

A melhor parte é:

Forma apenas meu verdadeiro nome
escondido numa personalidade que não criei

daquelas frases de impacto (COM significado)

Inês disse...

Uau, que bom isto aqui! (Poemas de gente grande)
Um beijo, e muito sucesso com as palavras!
Inês.

Luara Q. disse...

vc escreve muito bem (:

Ricardo Valente disse...

Li até aqui...
Muito bom!
Abraço

Nasca disse...

é katrina tufão!
porque isso daqui invade.. :*