terça-feira, 19 de maio de 2009

Resquício

Todo amanhã é o quadro onde te invento e te desenho, disposto a te apagar, assim não és, muito menos com esse cabelo liso, esse sorriso.
(Julio Cortázar)




Você

incêndeia as horas incêndeia esta noite vazia & incêndeia os meus lábios secos que essa bebida aqui do meu lado não molha que não sacia qualquer sede que não sacia qualquer solidão que não embriaga este meu coração que pulsa
como o teu corpo que pulsa
aí sozinho como o meu corpo que
pulsa pelo o seu
mas eu estou aqui largada em algum subúrbio do universo entre catarses e tão poucas aleluias
algum inferno
mas a tua lembrança adoça até as chamas
mas não é assim tão doce
tua ausência esvazia até o céu

E eu não sei, deste resquício de lembranças não resultará em nada
destas cinzas deixadas por mim não nascerá fênix alguma que voe até
não, eu sei
mas você se desenha na esperança de alcançar os céus
(todos os céus)
como um sonho
em um verso
que me percorre
como o teu sorriso
que me desperta
como o teu olhar
que me penetra
como a tua voz


(os meus olhos estão sujos de noite & rímel & medo e você não os reconheceria, certamente)

...

4 comentários:

Anna Clara disse...

eu acho bonito e distante.

Marcelo Mayer disse...

belo ritmo. o amor sempre encontra a solidão.

Picles disse...

versos bem delineados

Caio Neiva disse...

sério, isso dá uma música!
se me autorizar... haha