quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mentira mentacapto.

Segue uma rota inexorável com a ponta da língua
pelos lábios sob o pergaminho da noite,
fração de lágrima desenfreada que desce
uma curva
até colidir com o que há de mais belo & mais morto.

Você deita-se sobre o silêncio
de mil agulhas
que se afundam na minha pele
de mentecapto
no vazio
de alguma mentira
jamais inventada pelo homem
(que nunca fui)

Preciso me desintoxicar das palavras.

9 comentários:

Guilherme Navarro disse...

Simplesmente sua melhor postagem!

Vital disse...

a linguagem é um eterno problema nos intervalos em que não lemos poemas assim.

sidnei olivio disse...

Jogue seus textos no meu lixo... quisera eu escrever assim! Encantado com seus versos, virei leitor assíduo. Abs.

Juliana Cruz disse...

concretismo acidental ou pensado?

dade amorim disse...

Pra lixo, está mais que impróprio - é poema dos bons, Katrina.

Beijo.

Maria Andrade disse...

e me embriagar de ferrugem metal. adoro a perfuração do lirismo mal comportado

Juliana Amado disse...

Adorei esta parte:

"fração de lágrima desenfreada que desce

uma curva
até colidir com o que há de mais belo & mais morto."

Você usa suas palavras de um jeito bem contemporâneo e vanguardista. Isso é difícil. E você o faz muito bem feito.
Parabéns!

Francisco Jamess disse...

você viaja tão bonito que até parece que deu uma testada no monitor e ficou estampado o que tava na sua cabeça.

chique.

Mai disse...

WoW!
Grande texto!
Palavras na pota da língua. Domínio e luxo.

Excelente, Katrina.