quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Tango anacrônico

Deslizo sobre teu corpo enquanto Gardel chora por sua Buenos Aires convalescente, e os teus olhos encontram os meus lábios que encontram em suas pernas algum resto de tango.Jornais velhos com o rosto de Perón em suas capas anunciam o nosso amanhã que é tão breve quanto essa madrugada que se esvai em nossos apelos por mais um verso borginiano.Sussurro quase aos gritos de tão suaves e surdos que você mal pode compreender o quanto de você há em minha voz, nesse silêncio que não pode calar as vozes das mães da praça de maio, que clamam por seus filhos que estão muito além das nossas janelas, fechadas para todos os jogos propostos por Cortázar.

6 comentários:

ber disse...

eu achei lindo. e chegou perto de Cortázar, tanto no estilo quanto na qualidade. e só por isso merece os mais sinceros parabéns. :)

beijos.

Anônimo disse...
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Katrina disse...
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Aquela 'par', que virou ímpar. disse...

é, meus parabéns, também.

R. disse...

Cortazár é dos meus favoritos. Li o texto com avidez e gostei muito. Só me faltou um copo de vinho.

Beijo!

Hugo Crema disse...

Sempre me perguntei se a obra assume o formato que descreve. Você fez um tango aqui. O médico do Bandeira ficaria orgulhoso.