terça-feira, 27 de maio de 2008

Poeira do espaço

Relato real.
1971
Algum lugar.

Era de madrugada e eu estava calmamente fumando e observando o céu muito claro daquela noite.Estava acordado sem drogas e bebidas e sem café e posso afirmar com toda a segurança de que não foi uma alucinação ou um sonho tudo o que aconteceu perante meus olhos.Foi real, bem real, terrívelmente e adoravelmente real.
Aquela luz verde azul vermelha amarela, todas brancas, caíram do céu num único objeto em um estrondo como se fosse um raio.Estático apenas olhei, assustado e achando que era um sonho mas estava acordado porque meu corpo doía muito devido ao impacto, ao quase terremoto causado pela queda.Uma bola redonda achatada.Um disco, como todos aqueles hippies malucos e maconhados diziam que iam nos salvar qualquer dia desses numa hora dessas aí.Não fazia muito barulho o tal disco, era algo como um zzziiiiizzziiiimmm interminável e baixo.Não nego o meu medo inicial perante aquilo tudo.Estava ali estático agachado no chão e com muito frio quando o vi.
Ele, quasehumanoquasealgumacoisa saindo da nave disco brilhante com alguma coisa em suas mãos, algum livro parecia ou nem isso era.Olhava ao redor, tão assustado quanto eu, mas não me viu ou eu acho que não naquele instante.Ficou ali, observando tudo ao seu redor com aqueles olhos de criança que vê tudo pela primeira vez.Eu queria desesperadamente fumar naquele instante, mas meu cigarro morreu entre meus dedos que queimaram com a brasa mas que eu não havia sentido até aquele exato momento.Ele era mais importante que a minha dor idiota.Caminhou e correu velozmente pelo campo de braços abertos,como se quisesse abraçar o ar inutilmente e desapareceu.Suspirei aliviado acreditando que ele não voltaria,mas ele voltou e eu quase gritei com o espanto.Ele ali sorrindo para alguma coisa que meus olhos não conseguiam ver.Não sei, talvez algum amigo invisível vindo do mesmo lugar que ele.Nunca soube.Entrou em sua nave, e novamente eu pensei que não mais o veria.Estava mais uma vez enganado.Ele voltou, roupas normais (ou aparentemente normais, porque ele estava com um macacão prateado, anos a frente do que viria a ser moda aqui na Terra), desligou todas as luzes de sua nave e voltou a caminhar pelo campo, mas em minha direção.Sim,ele deveria saber que eu estava ali e que eu seria a única testemunha da sua chegada ao nosso planeta.Temi que me matasse por isso.Vinha em minha direção com uma sacola[?] em mãos[?], sorridente.Era belo, demasiadamente belo. Cabelos talvez vermelhos, talvez alaranjados e espetados para cima(o que futuramente veio a ser a moda entre os punks), vestido de jaqueta e calças jeans, e um corpo que me enganaria se eu não tivesse visto sua chegada.Eu diria que era um humano perfeito.Apenas os olhos eram estranhos, nunca soube a cor exata deles.Algo como roxo e vermelho e púrpura.Muito bonitos por sinal.Perto de mim.Podia sentir o seu cheiro, estranho e bom, acho que era um perfume igual ao que se usavam mesmo naquela época.Olhou em meus olhos e novamente esboçando aquele sorriso mágico me perguntou aonde ele poderia encontrar as pessoas daqueles lps.Sim,ele trazia na sacola[?] lps diversos.Me mostrou todos.Eram o revolver, white album, sgt pepers e o abbey road.Havia também o White light/White Heat,Velvet underground and Nico,The piper at the gates of down, a saucerful of secrets, atom heart mother,Beggars banquet,Let it bleed,My generation,a quick one e the who sell out.Fiquei abismado e perguntei como aquilo tinha chegado até ele.Me respondeu que beatles,pink floyd,velvet underground,rolling stones e the who faziam sucesso por lá, mas as informações sobre eles eram pouquíssimas.Os seres do seu planeta tinha repugnância a esse tipo de música vinda da Terra.Quase ri, não era tão diferente aqui da Terra afinal, onde alguns tinham repugnância a esse tipo de música.Respondi(e eu me lembro exatamente de como) "Eles devem estar na Inglaterra.É um país que fica lá na Europa cara."Ele agradeceu e sumiu.Corri até a sua nave, toquei-a.Era real.
Voltei para a casa ainda paranóico achando que qualquer luz poderia ser mais uma nave e que qualquer pessoa que estava vindo em minha direção seria ele.Minha vida nunca mais foi a mesma.Demorei para me recuperar desse meu trauma.Olhava todas as noites para o céu, esperando que ele reaparecesse e viesse ao meu encontro.Sonhava com ele, sonhava que viajávamos em sua nave por todo o espaço.Queria saber mais sobre ele.Bem mais além de saber que ele ouvia nossas bandas.Comprei aqueles lps e durante muito tempo fiquei ouvindo e me lembrando dele.Músicas para et's.
Algum tempo depois, tive notícias dele.
Ziggy Stardust and the Spiders From mars.
Comprei o Lp e fui até num show.
Ele parece não ter me reconhecido.
Ah, ele queria ser humano foi o que percebi em suas letras e em sua vida aqui na Terra.
E ele foi humano durante 5 anos.Talvez não tenha agüentado, talvez não fosse aquilo que ele realmente queria, talvez não seria aceito novamente em seu planeta.
Matou-se
E eu ainda me lembro daqueles olhos roxos vermelhos quase púrpuras.

4 comentários:

Aquela 'par', que virou ímpar. disse...

se liga que o 'mocréias' nem era pra ti... me deixou sentida agora. hahahaha
depois leio e comento.
besos

Auíri Au disse...

Belo espaço, virarei astronautas aqui..

beijos


^^

Nadja Reis disse...

Gostei!Interessante esse texto!Aliás esse e todos os outros...Não entendo porque voce deu o nome do seu blog de Lixo de Textos,voce escreve muito bem,menina! bjoss

Aquela 'par', que virou ímpar. disse...

se liga que eu fico com medo dessas coisas.
quase não aguentei ler tudo.