sábado, 9 de julho de 2011

Movimento Rápido dos olhos - 5º capítulo

Trabalho de segunda a segunda e sorrio dizendo que se Bukowski (que era mediano, quase ruim o coitado) alcançou a glória eterna depois dos 50 (acho), eu ainda tinha tempo, não tinha?
Eu já tinha algumas rugas e muitas dívidas, um ótimo começo para um escritor. Acrescente a isso a incapacidade social de aproximação com o sexo oposto e a falta de prática com o manuseio de copos cheios de álcool. Conversas apócrifas com Dostoievski de bom humor em dias que Deus ex machina dava o ar de sua graça eram tão comuns quanto os insultos imaginados do caminho da padaria até minha casa devido à caixa (aquela vadia) que nunca me sorria .
Os papéis em branco espalhados pela casa eram um lembrete, bem claro, de que eu ainda seria um grande escritor. Mas quem se importa? Eu já era um escritor por QUERER ser um, e ninguém provaria o contrário, mesmo o desânimo e o meu desaparecimento (de mim mesmo) a cada página virada. O novo personagem nunca era eu.


Pra isso a gente dá o nome de determinação

3 comentários:

Nara Sales disse...

Determinação. Principalmente quando reconheceu que era um escritor porque assim o queria. Gostei muito.

Nara Sales disse...

Determinação. Principalmente quando reconheceu que era um escritor porque assim o queria. Gostei muito.

.maria andrade vieira. disse...

determinação subtraída daquele velho e indecente vitimismo típico dos artistas que se dizem não-compreendidos.