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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Dedicated to you

Para Bernardo

Dentro dos sonhos estão os sonhos
(Jorge Luís Borges)


Haverá uma estação onde algum trem azul dormitará e nos encontraremos sob uma lua de tango, assim como somos hoje e que não sabemos como seremos amanhã, mas talvez você continue o mesmo mas eu serei mais uma, outra qualquer. Você estará com um cigarro entre os lábios, dessa marca que eu inutilmente guardo uma caixa vazia dentro da bolsa e que de vezenquando quase acredito que o seu cheiro deve ser o mesmo dele.E será colorido, tão diferente desse preto e branco ao qual a minha memória já está acostumada a desenhar em cada espaço vazio de mim o seu rosto, e eu serei desfocada ou pela metade, como geralmente sou.Nossos passos sobre a plataforma terão o ritmo de alguma velha música do não tão velho assim Coltrane e talvez a sua voz acabe mesmo tendo a mesma intensidade de Nick Cave e quem sabe ela acabe se impregnando na minha voz com a mesma suavidade de alguma canção-poema de Dylan.
Então você embarcará neste trem azul da cor do céu de inverno que também pode ser a cor dos teus olhos, antes mesmo que o seu olhar, o meu olhar, o nosso olhar faça de todas as noites uma única noite, enquanto eu procuro no seu adeus alguma nota de algum blues.
E o que resta apenas é o resto de um cigarro, assim como o resto de algumas das minhas cinzas
assim como alguns desses sonhos.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Para se perder no abismo que é pensar e sentir II

Não sei traduzir o porque ou como de ainda enxergar você no meio de tanta luz e prédios vestidos de preto, escondidos na noite daquela cidade imensa e silenciosa apesar dos carros e todas aquelas pessoas tão solitárias quanto eu ou você.
Como eu queria que tivesse me deixado te levar para o meu lugar de saudade e que tivesse vivido um pouco mais desta noite comigo. Parte minha, vida, que queria ter te apresentando pessoalmente depois de algumas longas conversas e cigarros e doses de qualquer coisa que me deixe distante do que sou.
Te levaria aos meus sonhos mais vazios que ficaram por lá e tudo que construi de mais sólido. Teria te ensinado a viver e entender aquela dança de luzes brancas e vermelhas tão confusas, tão simples que você já deve ter se esquecido, certamente.
Apresentaria o meu passado, o que eu fui e o que eu conheço que não está tão perto. Assim como você, mais longe do que eu gostaria e mais perto do que eu possa prever. Você que eu não conheço tanto ou quase nada,ou que conheço tanto e que conheço mais do que qualquer outra pessoa.
Foi tudo tão rápido que você nem levou algo deste pretérito com você, nem ao menos alcançou o que ele carrega de belo e também frágil. Se na sua memória ficou algum filme antigo em preto e branco, talvez na minha ainda seja o último filme em cartaz:
Para se perder no abismo que é pensar e sentir.

domingo, 15 de junho de 2008

Cinzas da noite

Flores se consumindo em sombras e sumindo além das nossas ambições que viram cinzas a cada cair solitário da noite sem ruído e sem movimento, silenciosa como a morte e triste como nossa vida, uma noite assim feita apenas para os desesperados decadentes que sentem prazer entre maços de cigarros e vodkas e lembranças que os fazem beber mais e fumar mais até não sentirem mais o amargo sabor da frustração em seus lábios,que procuram em uma romaria desiludida pelas ruas mal iluminadas e sujas da cidade(qualquer cidade) por alguém que lhes possa oferecer o sexo como um cálice transbordando de vinho(qualquer sexo), que rasgam suas almas em caminhos de utopias medíocres e inúteis e tolas como todos em sua visão de si mesmos ao longo de suas tão medíocres e inúteis e tolas vidas, que dão seus primeiros de muitos passos em direção ao abismo que é não saberem quem são de verdade e viverem e caminharem em mentiras.E as flores continuam se consumindo em sombras num maldito círculo vicioso até se tornarem mero resto de cinzas de uma noite que não queima mais.