quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Presente

Obrigada Junker pelo presente *-*
Um desenho com uma máquina onde eu mato pombos, uma xícara de café, um cigarrinho e HENRY MILER MALANDRÃO E GOSTOSÃO é daqueles presentes dos quais eu nunquinha vou me esquecer, mesmo.

Obrigada também, Luna, Hugo, Rafael, Leandro, Junker e Bernardo, por abraçarem a minha ideia absurda (da qual em breve todo mundo já vai saber).

Enfim, é o basiquê.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Do final, não muito longe do começo

Jamais acreditaríamos no final, mas finais existem e finais sempre vão ter algo de triste, algo de perdido, algo de jamais ter chegado ao paraíso e sentir finalmente que tudo valeu a pena. Mas agora eu só sinto os seus abraços cada vez mais distantes dos meus e se eles se encontram, é como se envolvéssemos o nada. Você sente os meus lábios mais frios e mais rígidos, eu sinto o seu coração cada vez mais fechado ás minhas palavras de carinho e eu me sinto cada vez mais falso ao pronunciá-las. Seu corpo vai se tornando cada vez mais seu e o meu corpo vai perdendo cada vez mais o resto do seu, então, a gente começa acreditar mesmo que isso é o final.

Eu não disse que seria, você nunca soube que seria, então vamos pagando esse preço caro que é viver os últimos dias como se eles fossem os primeiros dias: dois estranhos numa tentativa de se conhecerem numa cama enquanto tentam se esquecer do que já viveram com outros, sem nenhum êxito ao passo que precisam se agarrar aos outros ontens, procurando um no outro algo a se amar, algo no que acreditar. Mas encontramos dois corpos cansados e tristes que se repelem no espaço universal de uma cama.

Eu queria que fosse, você sempre quis que tivesse sido, então só nos resta esses pedaços que deixamos para trás, alguns sorrisos, algumas sinceridades,umas lágrimas de felicidade e aquelas surpresas agradáveis. Mas o que ficou, o que nos restou mesmo, foi esses sorrisos falsos e sarcásticos, essas sinceridades sinceras demais, essas lágrimas após brigas intermináveis e essas surpresas desagradáveis.

Eu tentei vencer, você achou que já houvessemos vencido, mas estamos nessa batalha ainda. Fechamos nossos olhos e por instantes, somos novamente tudo o que jamais deveríamos ter deixado de ser, mas então acordamos, não te reconheço e você finge o mesmo e é isso que seria o resumo desse pesadelo que vivemos. Me pergunto como isso foi nos acontecer mas são seus olhos sem maquiagem que me respondem com a mesma pergunta. Só nos restam proclamar o fim, mas o fim do quê, se já ultrapassamos todos os pontos finais e finais felizes que existem?

Mas não acreditamos em finais se ainda estamos não muito longe do começo.

domingo, 8 de novembro de 2009

Você tranca o planeta

Os acasos não me assustam
são eles que se assustam
com o que eu faço.

Domestico minhas vontades para não ser mais uma mera personagem da epopéia amorosa, sambinha cretino que toca no rádio & no coração
em noites ilustradas em que a garoa
me molha de você.

(que tranca o universo & joga a chave fora)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A comédia dos erros

Para Hugo, que me cedeu seu apóio logístico.


Para onde vão os trens meu pai?
Para Mahal, Tami, para Camiri, espaços no mapa, e depois o pai ria: Também para lugar nenhum, meu filho, tu podes ir e ainda que se mova o trem tu não te moves de ti
( Hilda Hilst)



Dante ardia em febre enquanto descia brincando o inferno & você me queima como se fosse Nero tocando suas canções intermináveis sobre o dia em que o amor pegou suas malas e saiu de férias. Maomé delirava enquanto sua voz desenhava o alcorão e Moisés riu amargamente das leis que nos prenderiam para sempre numa tábua de mármore
e eu tenho dado as mesmas amargas risadas por ter me prendido para sempre dentro de você
que me arranca como parasita, que arrasta meus cândidos sonhos pelo chão até que sobre apenas a intenção de sonhar, mas sonhar tem me cansado muito.

Prefiro a ilusão que provém dessa loucura que percorre minha pele & faz você delirar.
(O último cigarro apagado não é mais especial porque não nos é dado saber ser ele o último ou o primeiro de um maço longinquo
porque interminável)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A verdadeira causa

Estranhou aquele homem em sua cama, olhando perdido para o teto. Não, seu marido não lhe pediria para ficar de quatro e muito menos pediria que ela lhe chupasse e talvez ela também não seria ela mesma, não teria gostado da idéia de se submeter a uma posição humilhante e não teria jamais gostado do sabor do sêmen do marido. Casada a tanto tempo com ele, já se acostumara ao tradicional pai e mamãe de final de semana, sem muitos pormenores, ele gozava e ela fingia feliz, porque nas revistas se falavam tanto do tal orgasmo piscológico da mulher que chegou um ponto em que acreditara que, ao ver o marido gozando, poderia gozar em simplesmente saber que ele havia gozado, sem nunca ter experimentado a sensação que sentira. Sorriu envergonhada para o marido que retribuíra o sorriso. Antes mesmo que ela comentasse algo sobre o que lhes ocorrera, o marido já procurava os seus lábios, os que escondia com recato sob os lençoís.

Sorriu para a esposa, que pela primeira vez esboçava o sorriso da mulher mais feliz do mundo. Tentou naquela noite tudo o que sempre quisera e jamais tivera o mínimo de coragem para fazer. Não se importou se a esposa se sentiria ofendida, mandaria ela e seu moralismo de merda para o inferno se fosse necessário. Foi até a cozinha e trouxe para o quarto a garrafa de vodka que comprara. Bebeu metade e a outra jogou sobre o corpo da mulher, que olhava extasiada como se Deus tivesse finalmente ouvido suas preces. Nunca imaginaram, ambos, que houvesse tanta luxúria adormecida em quase 20 anos.

Levantou-se, beijou sua mulher nos lábios ofegantes, abriu a gaveta e tirou o maço de cigarros antes que ela percebesse. Olhava meio amargo pro maço em suas mãos, marlboro vermelho, comprou só porque gostava da cor. Nunca havia fumado, mas por indicação dos amigos, queria experimentar a sensação de fumar um após o sexo. Por indicação do médico, ele não deveria ter comprado esse cigarro, deveria se manter longe do alcool e deles. Esforços físicos também, riscados. Nos dedos contou, sem tudo isso 6 meses, com tudo isso uns 3 meses. Um sopro no coração, mas nem sentia nada ventando dentro dele. A mulher que insistira no check up, achava ele meio desanimado prá tudo, desconfiava que fosse vermes, e agora, com o maço em mãos, sabia que não era. Tentou abrir, puxou o lacre, desdobrou as abas. Estavam lá dispostos 20 cigarros do mais exemplar filtro vermelho. Olhou para baixo da varanda, uns 10 andares, crianças jogando bola sob refletores. Puxou um dos cigarros, mas não conseguia o retirar, tentou mais uma vez sem êxito. 6-3= 3 o que dava 91 dias que perdera em apenas 9 horas, e esse cigarro que não quer sair, e dá umas palmadas no fundo da embalagem, os cigarros caem, ele tenta agarrar algum, perde o equílibrio.

As crianças gritam horrorizadas, o homem nu esborrachado no chão tem um sorriso débil. Entre os dedos, um cigarro que não teve tempo de acender.

Até hoje, a mulher culpa os cigarros, foi por causa deles que ele morreu.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nosso homem em Havana


Quem acha que o melhor de Cuba são seus charutos e seu rum, está completamente enganado. O melhor de Cuba atende pelo nome de Pedro Juan Gutierréz, um senhor já sem cabelos, todo tatuado, viciado em rum, charutos e sexo. Ah, e antes que eu me esqueça, um dos maiores nomes da literatura latina.

Gutierrez escreve, sim, livros com altas doses – e muitas páginas – de sexo. Mas sua obra vai além. Revela a realidade escondida sob o véu da prosperidade socialista de Cuba, há muito tempo desmascarada com as denúncias de corrupção e miséria espalhada pelas ruas de Havana e a apenas 150 km do País das Maravilhas, vulgo, EUA. Mas não se define como um crítico e afirma que não tenta denunciar nada em seus livros. Só é verdadeiro, nada mais do que isso.
As contradições de Cuba são inúmeras, o país tem um alto nível de adultos alfabetizados mas seu sistema de ensino é falido, tem industrias estatais mas ainda seu PIB provém da agricultura e exportação de charutos e rum, a população venera Fidel mas odeia o regime socialista. É a partir disso que Gutierrez cria suas histórias imaginárias sobre a mais crua e perversa realidade além das suas janelas. Gutiérrez passa bem longe da cartilha dos companheiros socialistas, a desgraça que ele expõe no que escreve, de certa forma poderia acontecer em boa parte do mundo capitalista e não ter como cenário a esplendorosa Havana.

A verdade é que não é fácil ler Gutierrez. Não que seus livros sejam complexos, pelo contrário, são de uma simplicidade encantadora, mas o que os tornam difíceis é a maneira pela qual ele submete seus leitores. Ele tenta provocar as mais terríveis aversões, para que no final, o leitor acabe se rendendo e pedindo por mais e mais. Outra coisa a se falar, é o seu lirismo. Além de escritor/contista/cronista/jornalista/pintor, Pedro também é poeta, e a todo momento, introduz sua poesia entre as pernas de sua prosa, até que ocorra o mais sublime orgasmo.

Seguinte, resumidamente: Pedro mata a cobra e mostra o pau, com exibicionismo. Cutuca as onças com varas curtas (ou longas, como preferirem) e as hipnotiza (com a vara, se preferirem). Suas putas são as mais fiéis mulheres, as respeitadas mulheres da alta sociedade desejam ser putas, seus charutos causam alucinações, seu rum se torna seu melhor amigo, a política é um cancêr e o sexo é algo totalmente secundário, mas ainda sim, a melhor forma de escape para tudo. Apesar de ser extremamente comparado a Bukowski, do qual ele afirma que só começou a ler depois de ter escrito sua obra prima "Trilogia suja de Havana", ele consegue ser superior a Chinaski em veracidade (mesmo que transforme o homem aranha num heroí preguiçoso e viciado em sexo selvagem, comendo qualquer mulher que passe em sua frente)
Trechos a seguir (roubados) da revista da cultura, em 08/08
Em O Rei de Havana, por exemplo, há cenas de sexo a cada quatro páginas, mas a angústia do protagonista vem de sua condição social, não de sua luxúria. A sexualidade é um componente importante em seu trabalho, mas você não pensa que as análises que colocam o sexo como ponto central de sua obra sejam reducionistas? É exatamente isso. Essa novela é um estudo sobre a miséria, a pobreza extrema e o círculo vicioso a que estamos presos. O sexo é secundário. É tudo o que o personagem principal tem para ele mesmo, é uma forma de exercer algum poder – e ele o faz de modo inconsciente. Não sei bem. Foi uma novela que escrevi de uma maneira estranha, sem pensar. E agora não posso explicar.

Você diz que não escreve sobre política. Mas é impossível não pensar em uma micropolítica do cotidiano quando se lê O Rei de Havana, ou O insaciável homem aranha. Nesse último, a história dos acrobatas que são interrompidos pela polícia é uma metáfora interessante sobre a intervenção do socialismo no âmbito privado, não? Cada um lê o que quer em um livro e faz sua própria leitura! Os antropólogos encontram antropologia em meus livros. Os jornalistas, crônicas da vida cotidiana. Os obsessivos sexuais, luxúria. Os políticos encontram política. Eu vejo histórias interessantes de gente em situação-limite.

E da literatura internacional, quem seriam seus eleitos? Para mim, Franz Kafka e Julio Cortázar são os dois maiores escritores do mundo. Além deles, comparo minha condição de escritor censurado em meu país com a de Fiódor Dostoiévski de Crime e Castigo. Ele escreveu esse romance sob a dominação do czar e vivendo no subúrbio de Moscou. Mesmo assim, em vez de fazer um panfleto político, criou uma novela policial, como eu, que em vez de fazer os personagens sofrerem, os boto para trepar".
Por essas e outras, só me resta bater palmas ao Pedrito (e bateria outras coisas também, porque não sou boba, haha)


Post dedicado a outra amante desse cubano, Dona Adriana Gehlen

domingo, 1 de novembro de 2009

Viva o lado coca cola da vida.

(Arquivo pessoal)

Metaforicamente falando, óbvio.